O evento “Summit Agenda SP + Verde”, que se anuncia como uma iniciativa pré-COP (Conferência das Partes da ONU sobre Mudanças Climáticas) e ostenta a bandeira da sustentabilidade dentro do icônico Parque Villa-Lobos, carrega consigo uma contradição gritante que merece ser posta em cheque: o completo descaso com a bicicleta como meio de transporte.
Basta uma rápida olhada na seção “Como Chegar” do site oficial para perceber a omissão vergonhosa. O que se encontra? Carro, ônibus e transporte por aplicativo. Em pleno 2025, um evento com tema ambiental, realizado em uma cidade que se esforça (ou deveria se esforçar) para promover a mobilidade ativa, simplesmente ignora a existência da bicicleta.
Isso é particularmente revoltante quando consideramos o local. O Parque Villa-Lobos é cercado por uma extensa ciclovia, um convite natural e lógico para que o público se desloque de forma verdadeiramente sustentável. No entanto, a organização do “Summit Agenda SP + Verde” falha miseravelmente em reconhecer e incentivar essa opção.
Cadê o bicicletário decente? Não estamos falando apenas de paraciclos que talvez o “guarda local” olhe de vez em quando, como disse a “segurança” ao ser questionada. Para um evento deste porte e tema, o mínimo seria oferecer um bicicletário seguro e coberto, com capacidade adequada para quem decide pedalar.
E as bicicletas compartilhadas? Em uma metrópole como São Paulo, as bicicletas compartilhadas são uma realidade. A falta de menção ou de parcerias com esses serviços é um tiro no pé da própria “sustentabilidade” que o evento tenta pregar.
A mensagem implícita é clara: o “Summit Agenda SP + Verde” parece estar mais preocupado com o marketing verde (greenwashing) do que com a adoção de práticas sustentáveis reais e inclusivas. É fácil falar sobre reduzir a emissão de carbono em grandes conferências, mas é na prática do dia a dia – como planejar o acesso a um evento – que a verdadeira intenção se revela.
Sustentabilidade sem mobilidade ativa é conversa fiada. É hora de parar de tratar a bicicleta como um mero adereço de lazer e reconhecê-la como o meio de transporte de baixo impacto que ela realmente é. O “Summit Agenda SP + Verde” perde uma chance de ouro de ser um exemplo prático de como a cidade pode (e deve) abraçar a mobilidade limpa.
Que venha a próxima COP. Mas, antes, que o “Summit Agenda SP + Verde” se olhe no espelho e entenda que sustentabilidade se faz com ações concretas, e não apenas com belas palavras e omissões convenientes.
